Não passes mais com ele na Musgueira



FADO DA MUSGUEIRA

Ao fim de tanto tempo de serres minha
Que cavaste, outro arranjaste, foste foleira
Vi-te passar com esse trinca-espinha
Junto à minha barraca na Musgueira.

Podia-me vingar quando te vi
Marcarte esse focinho com uma faca
Mas vinguei-me a borrar, borrei para ti
Por entre as tábuas toscas da barraca.

Cavaste de que o diabo te persiga
Só te desejo mal grande marreca
Que tenhas caspa e sarna na barriga
Que te caia o cabelo, fiques careca.

Mas olha minha tosca bagaceira
Antes que fosses dele eu já fui teu
Podes sempre passar lá na Musgueira
Mas nunca tragas esse Camafeu.

Lido

aqui:
Nunca tive tanta noção de o tabaco ser uma droga como nos últimos 15 dias, após ler textos alucinados por parte de colunistas habitualmente respeitáveis como Vasco Pulido Valente ou Miguel Sousa Tavares. O que eles têm escrito sobre a nova lei do tabaco, deitando mão a comparações que deviam envergonhar qualquer pessoa que tenha lido dois livros de História, é de tal modo inconcebível que só se explica pela carência de nicotina.

ainda a ASAE

A carne fica oito a dez dias em vinha de alhos, numa receita de Lamego; a perdiz é de comer "com a mão no nariz"; a caça não sai propriamente dos matadouros; a temperatura das mãos que amassam certos queijos artesanais é determinante da sua qualidade; há vinhos que envelhecem em barricas de madeira de há muito impregnadas; a culinária caseira ... é um repositório riquíssimo que inevitavelmente se perderá se não puder continuar nos termos em que existe;
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Se tudo isso e muito mais for proibido, ou plastificado, liofilizado, higienizado até ao ridículo, nem por isso aumentará a segurança alimentar, mas em compensação dar-se-á uma destruição obstinada e sistemática do património cultural e do tecido económico.
Esse fundamentalismo de sinal totalitário tem tanto de delirante como de missão impossível. A menos que, um dia destes, a ASAE resolva mandar os clientes andarem sem sapatos nos restaurantes e criar uma inspecção para o teor dos sulfatos de peúga; verificar com uma zaragatoa, à entrada, a limpeza das mãos deles e se trazem as unhas de luto; impor uma lavagem do dinheiro em espécie e dos cartões de crédito antes de entregues para pagar a conta; proibir toalhas e guardanapos de pano nas mesas; obrigar os empregados a usarem escafandro e o cozinheiro a encapuzar-se para evitar que espirre para cima do esparguete; e, last but not least, determinar a imprescindível desinfecção do cu da galinha antes de ela pôr os ovos... |

Vasco Graça Moura, lido aqui

Lido



Não percebo porque é que dizem que o Obama vai ser o primeiro presidente negro dos EUA. Obama é 50% negro, 50% branco. Pela mesma lógica poderia ser o primeiro presidente branco do Quénia.
Lido aqui

prendre tous les risques, pour ne pas être en retard.



Este filme foi realizado por Claude Lelouch em 1976, filmado em Paris às 5:40 da manhã. Houve qualquer problema com a sua exibição dado ter sido filmado com o transito aberto, sem autorização, passando sinais vermelho, sentidos proibidos, excesso de velocidade, cruzamentos a fundo e às cegas, toda a sorte de tropelias, com apenas uma explicação: prendre tous les risques, pour ne pas être en retard.
O universo masculino em todo o seu explendor

a fome é tua amiga

No capítulo da alimentação, o ser humano está condenado a ter que se governar com um software obsoleto, o mesmo do homem das cavernas, que à vista de comida ordena: COME!! Software do tempo em que nunca se sabia quando seria a próxima refeição, sendo certo que, para a conseguir, havia que correr montes e vales atrás de um qualquer bovideo estúpido (ou caprideo ou ovideo que eu disto não percebo nada). Nestes tempos de abundância de comida e com um cérebro comandado por este instinto básico herdado do tempo de antes das gravuras de Foz Côa, a maneira mais segura para perder peso é pedir ajuda psiquiátrica que leve a acreditar em coisas como : "a fome é tua amiga"

boa vida


Ontem houve presunto e rojões e queijos e carnes grelhadas e alheiras e demais fumeiros e legumes e vinhos variados e doces e ainda mais comida, tudo superlativamente autentico, tudo prá lá de muito bom e tudo em muito boa companhia. As cautelas dietéticas moderaram a gula (ma non tropo) e proporcionaram uma degustação ainda melhor das iguarias. Obrigado ao Carlos e à família.

fascismo em lume brando

Feliz a expressão "a tristeza cinzenta de ser vigiado, é um fascismo lento, que nos cerca e invade" que li no blog "Ardeu a Padaria" a propósito da recente hiperactividade da ASAE, e dos comentário de António Barreto aos comentários que o seu artigo no público sobre o tema suscitaram.